Compartilhando aqui as impressões e escritos do poeta-ator-diretor-artista PAULO FARAH ANDRÉ,
sobre o nosso querido "ÜRUBÚ COME CARNIÇA E VÔA!"
Grupo Clariô de Teatro!
Clariei sim!
Perto de vocês me sinto como se tivesse recebido um abraço apertado, não um daqueles que quebra as costelas, mas daqueles que acolhe o coração.
Sobre o espetáculo, já passaram 3 semanas, ou mais, que o tempo nos engana, e a memória tem testa curta, mas a veia sabe os caminhos que leva ao coração. Parece que agora que eu parei para escrever, não lembro muita coisa, mas se eu for escolher um ponto para falar, resumo na palavra “dignidade”. Dignidade na escolha do texto, dignidade do Miró, do Mário, da Naruna, da Naloana , do Alexandre, da Martinha, do Diego, do Will, do Washington. Dignidade de atuações, de concepções. Sabe quando a gente vê ator honesto em cena, com integridade. Sabem sim, com detalhes de gesto, detalhes de voz, com a costura do roteiro (e imagino quantas escolhas, quantos “nãos” vocês disseram para poder ficar com a forma final). Vocês ousam construir a dramaturgia a partir de textos literários, fizeram isso com o Marcelino, agora com Miró, é mais trabalhoso, mas traz ao teatro o vigor da obra nova que se revela na interface das artes. Gosto quando alguém gosta das palavras, saboreia o texto. É bom de ouvir. Assim como é bom ver a reconstrução do espaço, “eterno Deus mudança”. Vocês não tem preguiça não? Deus abençoe a juventude de seus corações e a sabedoria de vossas entidades!
Teatro serve para religar o homem ao palco, o homem à terra, serve para redimir a sociedade das formas amorfas que são vendidas por aí. E se teatro é social, traz o grito (de dor ou alegria) de um povo, o teatro comunica com o divino, por ser rito, por estar carregados de mistérios, por nos surpreender e por aproximar o ser de suas raízes, seus antepassados, e daí soltar uma flexa ao futuro. Vocês fazem isso com aura e alma.
Das partes técnicas do espetáculo, no dia comentei aos pedaços com quase todos vocês o que achei pertinente. Como gostei das escolhas, nada muito a acrescentar, nenhuma discussão ou palpite a levantar. Vocês são profissionais, sabem trabalhar. Importante é não parar aí, no tecnicisno. Que bom que este não é a meta final de vocês, mas parte do caminho.
Escrevi um poema que envio anexo, sobre a metafísica do urubu.
Deixo meu abraço caloroso.
(Paulo Farah André)
e o frio que passa na alma
que acontecem fatalmente.
- Não é fácil ser poeta, Urubu!
em meio à miséria dos homens
ao desprezo dos curtos e brutos
sem tempo para ser gente.
- Mas mais difícil é ser Urubu! Poeta.
Comer a carniça que sobra dos homens
comer os restos de vossa humanidade
antes que os vermes nos comam.
(Pois aos urubus, só comerão os vermes
testemunhos de nossa finitude
e aos vermes comerão os fungos
(quando eu gosto de um poema meu e acho que ele pode levantar vôo, eu o chamo de Pipa Poesia)
Obrigado Paulo pela generosidade da escrita e a beleza da poesia!!
Próximo final de semana (23 e 24 de julho - sábado e domingo as 20h),
nosso "URUBU"pousa no SACOLÃO DAS ARTES