domingo, 19 de dezembro de 2010

LANÇAMENTO DA 33º CADERNOS NEGROS - UMA IMENSA DECEPÇÃO!!!

Amigos, eu, Naruna Costa, gostaria de compartilhar com vocês meu imenso descontentamento com a organização do lançamento do 33º CADERNOS NEGROS, que ocorreu na ultima sexta-feira, dia 17, na galeria Olido.
Fui convidada, assim como os atores Lucélia Sérgio e André Persant para fazer as intervenções poéticas dos textos que seriam lançados na noite. Nós, assim como o músico Di Ganzá e as cantoras Carol Aniceto e Liah jones, aceitamos a empreitada com prontidão, assim, na camaradagem, por acreditarmos na luta e nas batalhas conquistadas há cada ano, lançando nossos irmãos, gente que como nós, deseja transformar nossa história através da produção cultural!
Infelizmente, a organização do evento, aparentemente tão bonito e bem feito (realizado, repito: na Galeria Olido, no Centro de São Paulo), foi muito infeliz no tratamento.. Houveram muitos desencontros e muitas tentativas, de nossa parte, de fazer bem feito o que tínhamos nos prontificado.
Tudo foi equivocado conosco, desde o início, quando fomos "atirados" no palco, sem platéia, sem anunciarem o início do evento. Ficamos nós, as cantoras, vendidos em cena, à uma platéia pouca (a maioria nem havia entrado), que não entendia o que estava acontecendo, já que, formalmente, o evento ainda não havia começado. Uma situação constrangedora.
Mas, decidimos recomeçar, zerar, pedir desculpas a todos e reiniciar as intervenções, ja que a maioria, inclusive os autores, não tinham assistido. Combinamos tudo. Nos preparamos. A cantoras entraram, explicaram a situação de maneira muito generosa e bonita e reiniciamos.
Mas, mais uma vez, a ignorância nos atropelou e fomos interrompidos, no meio da intervenção, pelo sorteio dos livros. Livros que lançavam textos que nós estávamos prontos à interpretar ali. Naquele instante!
O Di Ganzá, (músico de muita relevância na pesquisa da musica afro). teve que se retirar do palco, e com ele, todos nós. Frustrados, infelizes e sem mais nenhum desejo de continuar tentando.. insistindo... investindo..
Decidimos ir embora!
E o pior de tudo foi ouvir os "discursos" do "pessoal da organização"... Nos taxando de irresponsáveis, amadores, estrelas e por aí vai!!
Perplexidade total!!
Cada vez menos eu queria estar ali, contribuir, compactuar com aquilo!
Quanta decepção...
Saber de todas as nossas lutas no movimento negro e periférico, e ver reproduzidas (nos que deveriam ser nossas referências) as mesmas atitudes daqueles que nos condicionaram à tanta miséria!
Miséria!
Essa é a palavra que me ficou daquela fartura de contradições que foi o evento!
Uma pena.
Pois valiosos são os CADERNOS NEGROS..
assim como os AUTORES NEGROS, os CANTORES NEGROS, os ATORES NEGROS e TODOS OS NEGROS que estavam lá fortalecendo e celebrando as conquistas de nosso povo NEGRO!
E é só por isso que escrevo essas palavras.. na esperança que, compartilhando o sofrimento e a insatisfação, possamos TODOS evitar o desrespeito com nossos irmãos!!!

Isso não se faz com o irmão.. ou... Não somos irmãos!

Carta apoiada pelo GRUPO CLARIÔ DE TEATRO e CAPULANAS CIA DE ARTE NEGRA.
Veja a versão da QUILOMBHOJE sobre o ocorrido:

9 comentários:

Universo Fesanico disse...

Saudações.
Eu estava no evento e quero, humildemente me solidarizar com os atores. E também com os escritores, publico, e organizadores. Sou escritor e colaborador dos Cadernos e acredito no trabalho. Tenho profundo respeito e admiração pelos artistas que lá estavam, assim como pelos escritores e mantenedores do projeto.
Também já dirigi em lançamento e sei das dificuldades de organização. dificuldades como qualquer um que se proponha a fazer qualquer coisa que envolva arte. Vamos superá-las.
No calor dos acontecimentos nos equivocamos e acredito que foi o caso. Não vi a discussão, mas temos algo maior a comemorar e refletir: A quantidade de talentos profissionais que nosso povo produziu. Até a bronca e a postura, prova que não são amadores ou iniciantes, são profissionais técnicos e generosos, peças de cristais que emitem notas puras e devem ser conduzidos e tratados com cuidado e consideração.
Virão outros cadernos e outros trabalhos e, desejo sinceramente trabalhar com todos os envolvidos.
Meus respeitos em especial para Naruna Costa, Carol Aniceto, Lucélia Sérgio, André Persan, Liah jones...
Sou admirador do trabalho e luta de vocês.

Helton Fesan

liah jonnes disse...

Eu, Liah jonnes quero também deixar o meu comentário:

Sim, aconteceu. E então eu fui lá cumprir um papel, mas sem nenhuma expectativa. e eu digo porque: o ensaio foi circunstância e condição primordial para que pudéssemos atuar.

Foi uma tragédia anunciada e toda a organização dos cadernos já sabia disso.

liah jonnes disse...

Com relação ao comentário acima,foi chamado um profissional, que se não é profissional, deveria ter a postura de um, chamado de " o mestre de cerimônias",que no não tem tempo de vir aos ensaios e por sua vez não lê cronograma...na verdade ele não sabe quem somos nós a menos que estejamos na telinha da TV.
Foi necessário isso ocorrer pra abrirmos uma discussão e verificarmos as possibilidades
Virão outros cadernos e outros trabalhos e, desejo sinceramente trabalhar com todos os envolvidos.
Meus respeitos em especial para Helton Fezan, Naruna Costa, Carol Aniceto, Lucélia Sérgio, André Persan e até junto a tantos atores que sempre participam dos lançamentos como Mafalda Pequeqnino e Marco Xavier,Dirce Thomaz, Renê, Sidney Santiago e tantos outros

Di Ganzá disse...

Eu mandei um e-mail pra quilomboje, um dia antes deles postarm uma critica sobre a gente no blog deles: http://www.quilombhoje2.com.br/blog/

Meu E-mail abaixo:

Sou Di ganzá e fui convidado para compor a equipe de apresentações artisticas do CN33, ficou evidente que a organização do evento estava um tanto desorientada, o que prejudicou consideravelmente as apresentações artiticas das récitas de poemas que seriam realizadas por duas atrizes e por um ator.
A desorganização não afetaria a causa, já que estavamos lá em prol a comemoração de lutas e conquistas do meio cultural afro-brasileiro.
Só que aconteceram alguns desrespeitos quando fomos conversar com a organização do evento, a propria Carol Aniceto do à quatro vozes teve que ouvir que estava tendo postura amadora.
Sinceramente, minha intenção não é levantar bandeira contra vcs, eu os admirava até ontem, e sei a importancia da coletania de texto de autores negros, mas a questão é o trato quando se refere aqueles que vcs chamam de "irmão",
podemos entender qualquer desencontro, imprevisto, possiveis falhas, mas ao tentar alertar vcs sobre isso... senti uma posição de instituição inquestionável.
No pequeno bate-boca que se fez no dia do evento, eu fui o que menos falou, tanta perplexidade senti de tantos valores equivocados vinda da parte de vcs.
Sinceramente, estou decepcionado, e ao colocar uma indignação no meu perfil virtual, recebi uma ligação essa manhã (domingo - 19) da parte de vcs sobre eu estar tomando a decisão errada, veja só: estou indignado mesmo, e não tenho medo de mostrar indignação. Mas já que recebi essa ligação que julgo de mal-gosto, peço para que vcs repensem sua forma de organização do evento, pq sou uma pessoa séria empenhado na pesquisa da musica afro e não gosto de me passar por amador, eu pediria desculpas se houvesse equivocos de minha parte, se a organização do evento fosse humilde e empenhados por causas justas, certamente pediriam desculpas à Naruna Costa, Carol Aniceto, Lucélia Sérgio, André Persan, Liah jones. fomos embora de lá com a sensação de que vcs estavam nos fazendo um favor em nos convidar para o evento.
Entendam uma coisa, militancia negra na arte está além de discurssos, está sobretudo na atitude, no bem tratar o proximo, em somar com o irmão preto... não precisamos de pampa, de glamour, de cópias de eventos da elite, precisamos levar adiante nossa arte e faze-la presente no conhecimento de nosso irmão.
Se querem trabalhar com poesia, vão além disso, trabalhem poesias em suas atitudes também.

Decepcionado
Di ganzá

Como percebem, "lindo e emocionante" foi apenas a casca.

Anônimo disse...

Amigos.
Estou tomando conhecimento desse acontecimento agora e assim sendo pouco posso opinar.
Entretanto tive o prazer de trabalhar, a pouco tempo, no filme Andaluz, com Naruna, Lucélia e André e todos além de grandes e dedicados profissionais são pessoas ótimas que contribuíram no filme com o maior alto astral.
Se no caso em questão eles não puderam somar como, tenho certeza, gostariam, estou certo que o maior prejudicado foi o próprio evento.

Abraço a todos.

Guilherme Motta

André Persant disse...

Eu, André Persant...

Acredito que estamos passando por uma época bem confusa, no que diz respeito a relações pessoais e profissionais. O modo de produção ao qual estamos submetidos invadiu todas as camadas de nossa sociedade, e a partir daí, passamos a dar imenso valor ao produto final, ou seja, aquilo que é visto somente, ignorando os meios pelo quais esse foi alcançado. Quando alguém, ou algum grupo, rompe com essa esquematização impessoal e inumana, é protamente taxado. Visto como “contra o todo”, que todo? Vocês não entenderam nada. Desde o ínicio, oferecemos (com toda a honestidade) o que de melhor tínhamos: nosso trabalho, nossa profissão que tanto amamos. A favor de um ideal que compartilhamos e acreditamos imensamente. Porém, com muita tristeza, vímos ruir, pouco a pouco, nossas esperanças. O que fazer? Ficar e participar, o que seria pra nós uma tremenda traição dos nossos princípios, ou sair e fazer com que algumas coisas fossem revistas pela organização do evento e melhoradas para o futuro. Ficamos com a segunda opção, pois entendemos que assim, estaríamos contribuindo mais com o grande acontecimento que é o “Cadernos Negros”. No entanto,
quando tentamos dar explicações as pessoas que deram por nossa falta no evento e que estavam, assim como todos ali presente, torcendo pelo sucesso da empreitada coletiva, fomos prontamente rechassados. Atacados. Como chamar de “estrelas” pessoas que se dispuseram ao trabalho prontamente, com muita alegria? Que se dispuseram a chegar, de livre e espontânea vontade, 3 horas antes do que qualquer outra pessoa da produção no local do evento para preparar a nossa colaboração ao CN33? Como chamar de “estrelas” uma pessoa que teve seu nome grafado errôneamente em todo o material de divulgação do evento e, em nenhum momento, se indispôs com a organização por esse motivo? Sim, porque meu sobrenome é Persant, e não Persan. Mas do que me importava isso, se na verdade o que eu queria era participar com a irmandade de um evento que eu tomava por sério e respeitoso, esse era meu objetivo maior. Mas, como já é conhecido por todos, isso não ocorreu. E não por estrelismo nosso, como foi mencionado pelo pessoal do Quilombhoje, e sim por uma tremenda desorganização que não favoreceu ninguém. Não havia um roteiro do evento colado nas paredes para orientação dos artistas, como é de costume nesses eventos. A pessoa que controlava o palco estava visivelmente perdida, e não dava a ninguém o menor suporte, ao contrário só confundia ainda mais. Na nossa primeira entrada, estavam programadas três, a plateia parecia não saber que já havia começado o evento, os autores ainda não tinham chegado. Ué, o evento não era por eles, então porque não privilegia-los? Resolvemos tudo com o Thiko e ficou acertado que voltaríamos a fazer a primeira parte. Lá fomos, novamente instigados e ávidos por participar dignamente daquilo que nos propomos fazer. Liah Jonnes, lindamente, subiu ao palco e colocou a situação e começou novamente a primeira parte da intervenção, no fim do seu canto junto com a cantora Carol Aniceto, a entrada do músico Di Ganzá, que faria a interação com os textos, foi cortada pelo MC, que realizou sorteios de exemplares do livro. Foi o ápice do caos instalado. Não havia mais o que se fazer ali. Ouvimos “Façam só a segunda e a terceira parte”, “Façam somente a última parte”. Como assim? Isto dito é um desrespeito ao nosso trabalho, a nossa vontade de colaborar e participar.
A quem possa interessar. Saio tristíssimo deste episódio; magoado com o vil tratamento a nós direcionados. Enfraquecidos por quem deveria nos fortalecer. Quem tá com o “microfone” maior e mais alto, tem maior resposabilidade naquilo que diz.

André Persant disse...

(...)

Peço para que trabalhemos com a verdade, cada lado tomou as suas atitudes, deixemos o tempo agir sobre nossas consciêcias. Cada um se colocou, fizemos valer a máxima maior da democracia. Exposições de ideias e posições é uma coisa, agora, não façamos disso um tiroteio irresponsável. Ninguém precisa disso.
Meus sinceros agradecimentos a Naruna Costa, Lucélia Sérgio, Di Ganzá, Liah Jonnes e Carol Aniceto, vocês me ensinaram muito.

André Persant
Salve geral e irrestrito.

José María Souza Costa disse...

Passei aqui lendo. Vim lhe desejar um Natal agradável, harmonioso e com sabedoria. Nenhuma pessoa indicou-me ou chamou-me aqui. Gostei do que vi e li. Por isso, estou lhe convidando a visitar o meu blog. Muito simplório por sinal. Mas, dinâmico e autêntico. E se possivel, seguirmos juntos por eles. Estarei lá, muito grato esperando por você. Um abraço e fique com DEUS.

http://josemariacostaescreveu.blogspot.com

Rosa disse...

Olá, Naruna e todos os participantes do lançamento do 33 CN.
Fui ver o lançamento este ano e não é a primeira vez.
Estava desde o inicio e vi a entrada de vocês no palco para encenar os textos... Foi muito lindo mesmo! Mas confesso que, como expectadora, também nao tinha entendido se havia ou nao começado. Entendi que alguma coisa errada tinha ocorrido. Percebi, quando voltaram as cantoras retomando a encenação e, esperava ver voces... notei que foram interrompidos. Esperava veras cenas novamente, desta vez com casa cheia... ia ser lindo!.. mas vocês nao entraram... eu percebi que o apresentador atropelou tudo!!

Olha, estou aqui, ofecerendo minha solidariedade, porque vi no blog do
Quilombhoje, a discussão sobre ter ou nao atores nos eventos...
Acho a postura deles muito errada, porque não me parece que estão tentando um diálogo e não reconhece as falhas...
estão responsabilizando vocês e todos os atores pelos erros deles!
Estão diminuindo o trabalho de vocês... muito feio.
Nao é digno de uma organização tão "respeitada".
Só pelo texto deles e pelo de vocês, já da pra saber que é que tem razão!
Força aí gente!
Tem muita gente com vocês!
Axé

Rosa.